Pesquisar no site


Sob forte segurança contra as Farc, Colômbia vai às urnas dividida sobre o pós-uribismo

30/05/2010 12:09

 

 

 

 

 

Os 30 milhões de eleitores colombianos vão às urnas neste domingo (30) sob um forte esquema de segurança nesta eleição que é considerada a mais acirrada disputa presidencial dos últimos anos. A polícia e as Forças Armadas mobilizam cerca de 400 mil soldados para proteger candidatos, eleitores e seções eleitorais em todo o país.

As tropas nas ruas esperam prevenir possíveis ações das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN), que historicamente realizam ações violentas durante eleições, para demonstrar poder e ganhar protagonismo político.

Raio-x da Colômbia

  • Nome oficial: República da Colômbia
    Forma de governo: República (Poder Executivo domina a estrutura de governo)
    Capital: Bogotá
    Divisão administrativa: 32 departamentos e 1 distrito capital
    População: 43.677,372
    Idioma: Espanhol
    Grupos etnicos: Mestiços 58%, brancos 20%, mulatos 14%, negros 4%, cafuzos 3% e indígenas 1%
    Religiões: Católicos Romanos 90% e outros 10% Fonte: CIA Factbook 2009

Um protagonismo que não vingará se depender dos dois principais candidatos à Presidência da Colômbia: o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos (candidato do governo) e o ex-prefeito de Bogotá Antanas Mockus (da oposição), empatados tecnicamente segundo diferentes pesquisas de opinião. Ambos afirmam que não aceitariam soltar guerrilheiros presos pelas Farc em troca da libertação de reféns.

Para Santos, apoiado pelo popular presidente Álvaro Uribe, acordos humanitários "não têm nada de humanitário" e incentivam a guerrilha a realizar mais crimes deste tipo, justamente em um momento em que esta prática foi reduzida. Mockus, por sua vez, diz que não quer “nem ouvir falar em negociação enquanto o grupo armado detiver reféns” e defende que as libertações unilaterais precisam ser mediadas pela Cruz Vermelha e pela Igreja Católica.

Já os candidatos Gustavo Petro, do esquerdista Pólo Democrático Alternativo (PDA), e Rafael Pardo, do Partido Liberal, afirmam que, se eleitos, buscariam um acordo humanitário.

A questão da segurança e do combate às guerrilhas tem sido ponto chave na campanha. O governo do presidente Uribe, eleito em 2002 e reeleito em 2006, é contrário às negociações com as Farc e implementa estratégias militares para lidar com os grupos armados.

Em março de 2008, por exemplo, o Exército bombardeou um acampamento da guerrilha no Equador e matou o número dois das Farc, Raúl Reyes. Cinco meses depois, resgatou 15 reféns da guerrilha, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, com grande repercussão internacional. O ano de 2008 também ficou marcado pela morte do fundador das Farc, Manuel Marulanda, conhecido como Tirofijo. Desde então, a guerrilha libertou vários reféns.

Correligionários de Uribe promoveram desde então uma polêmica Lei de Referendo para possibilitar uma nova reeleição. A lei passou no Congresso de maioria governista, mas, em fevereiro de 2010, a Corte Constitucional impediu que Uribe concorresse.

No mês seguinte, foram realizadas eleições legislativas, vencidas pelos partidos de direita, ligados a Uribe.

Apesar da popularidade de cerca de 70%, o presidente não conseguiu transferir esse prestígio para Manuel Santos, que, caso as pesquisas se confirmem hoje, deve disputar o segundo turno com Mockus em 20 de junho.

Integrante de uma família tradicional, vinculada ao jornal “El Tiempo”, Santos trabalhou como jornalista e como representante da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia antes de exercer cargos no governo. Foi ainda ministro do Comércio Exterior no governo de César Gaviria (1990-1994) e ministro das Finanças do presidente Andrés Pastrana (1998-2002).

A última e mais importante função de Santos foi a de ministro da Defesa, condição na qual liderou o ataque contra os guerrilheiros das Farc que libertou a então refém Ingrid Betancourt. Com essas credenciais, Santos se tornou o candidato que prometia prosseguir com as conquistas do Uribismo, algumas delas criticadas pelo líder do Partido Verde, Antanas Mockus.

O oposicionista iniciou a campanha com 9% das intenções de voto. Matemático e filósofo filho de imigrantes lituanos, Mockus foi prefeito de Bogotá por duas vezes (1995-1997 e 2001-2003), e implementou na capital uma política de combate ao crime aliada a investimentos sociais que hoje é referência internacional.

Ao lado das conquistas em Bogotá, Mockus é lembrado por suas extravagâncias. Para educar os motoristas, colocou mímicos nas ruas, em iniciativa polêmica. Aliada a outras medidas, a ideia contribuiu para reduzir o número de mortes em acidentes de trânsito.

Também como prefeito, defendeu a ordem de fechar os bares mais cedo pendurando uma cenoura no pescoço, em referência aos coelhos que supostamente não ficam na rua até tarde. Quando reitor de uma universidade, chegou a abaixar as calças para ser ouvido pelos estudantes.

Mas ganhou respeito ao rivalizar com o tradicional Santos nas pesquisas de intenção de voto, após conquistar milhares de seguidores nas redes sociais da internet e animar os eleitores mais jovens.

Desafio com o chavismo e aproximação com o Brasil

Seja Santos ou seja Mockus, o próprio presidente terá de lidar com uma relação deteriorada com a vizinha Venezuela. As relações com o país comandado por Hugo Chávez pioraram ainda mais em 2009, após a autorização da Colômbia para o uso de bases militares por tropas americanas e as acusações de Bogotá sobre um suposto desvio de armas venezuelanas às Farc.

Em julho de 2009, Chávez congelou as relações diplomáticas e comerciais com a Colômbia, o que motivou uma queda histórica do comércio bilateral.

Outro vizinho que também pode dar dor de cabeça ao novo presidente é o Equador. A tensão entre os dois países se intensificou após o ataque militar de 2008 a um acampamento das Farc em território do Equador, o que levou o governo equatoriano a romper relações diplomáticas com a Colômbia, situação que ainda não se normalizou.

Já o Brasil não deve dar trabalho ao sucessor de Uribe. Tanto Santos quanto Mockus falam em uma aproximação com o Brasil. "O Brasil é um país chave nos processos de integração na América Latina”, afirmou o candidato oficial recentemente. Mockus, por sua vez, destacou que, se eleito presidente, pretende "intensificar" as relações com o Brasil, "buscando maior apoio em temas como educação, ciência e tecnologia".

* Com agências internacionais

 

ESTE POST ESTA SOBRE NOSSA SEGURANÇA NAO PEGUEM ELE !!